WALLACE BARROS: DESIGN, CRIAÇÃO E MERCADO

30Aug10

Quem mora em Bh, pôde conferir recentemente o lançamento da nova coleção do designer mineiro, que aconteceu na Quina Galeria mês passado. Para quem não conseguiu ver pessoalmente, segue uma pequena amostra:

Depois de ver as peças de Wallace Barros, é difícil imaginar que ele possa ter tantas idéias assim tão boas… Mas, felizmente, ele é capaz, ainda, de extrapolar o limite de suas criações e pensar diversas coisas bacanas sobre a profissão e sua trajetória pessoal; e melhor ainda, de dividí-las conosco aqui no FKM!

Vale a pena ler com bastante calma, e um caderninho do lado, para anotar idéias que forem surgindo…

Wallace é formado na Escola de Belas Artes da UFMG, em Licenciatura; e pós-graduado em Design de Gemas e Jóias pela UEMG – formação que, segundo o designer, foi definitiva. Mas seu caminho no design é bem anterior: aos 16 anos, aproveitando câmaras de pneu que tinha em casa, Wallace transformou o material em uma bolsa, toda feita de peças encaixadas, e presenteou a namorada. O presente, que aproveitou toda a habilidade manual do designer – ele também é guitarrista – deu origem a uma série de outras bolsas, que devagar foram sendo vendidas aos amigos, e conhecidos dos amigos, e conhecidos dos conhecidos. E, neste momento, um dos modelos de bolsas criado por Barros participa da 3° Bienal Brasileira de Design, em Curitiba, na mostra “Design, Inovação e Sustentabilidade”.

Algum tempo depois, as bolsas ganharam a companhia de outros tipos de acessórios, como seus famosos braceletes, e Wallace estabeleceu uma parceria com o brechó Santíssima, que vendia as peças. Cursando a pós que lhe deu a chance de deixar seu trabalho mais focado, o designer participou, ainda, de três edições do Mercado Mundo Mix – duas em SP e uma no RJ. Atualmente, suas peças podem ser encontradas na Quina Galeria e na loja Ovo.

Falando em parcerias, Wallace têm firmado algumas bem interessantes ultimamente: Mary Design, Cavendish, Andréa Marques e No Hay Banda são as marcas que contaram com suas peças em desfiles mais recentes, e deram à AWB a oportunidade de circular por algumas das passarelas mais bacanas do país: Casa dos Criadores, Fashion Rio e Minas Trend Preview.

Outro braço de sua produção é o mercado de peças de decoração: com a mesma curiosidade de artista que o fez criar a bolsa-presente há alguns anos, Wallace quebrou a cabeça no desenvolvimento de um banco revestido de pequenas peças de borracha encaixadas. Satisfeito com o resultado, fotografou a peça, montou um material de divulgação e ofereceu a algumas empresas, procurando parcerias para melhor colocação do produto no mecado. Resultado: seus bancos são vendidos pela Mobiliadora Líder. Na sequência, vieram outros projetos de decoração, como um painel de modulos de borracha desenvolvido para o ambiente Banho e Closet de Luciano Costa,  exposto na mostra Morar Mais por Menos BH 2010 (confira aqui a programação, a Mostra vai até 03/10!) –  o painel também se utiliza do recurso de peças de borracha que se encaixam – possibilitando inúmeras aplicações no desenvolvimento de outros produtos para o ramo.

Tendo tido a borracha como matéria-prima durante boa parte de sua trajetória, Wallace Barros tem uma nova paixão: a madeira. Trabalhando apenas com madeira de demolição, a busca por peças que permitam o trabalho se tornou um prazer para o designer, que se delicia com a descoberta dos diversos tipos de madeira existentes e suas possibiidades de aplicação; além da madeira, alguns metais também têm insitgado o artista, devido à sua nobreza a plasticidade.

Com tanta demanda, Walace está em processo para a estruturação de uma pequena fábrica, acoplada a um show room, onde poderá confeccionar melhor suas peças, além de poder mostrá-las ao público consumidor com mais profissionalismo – preocupação constante do designer, que é obcecado pela acabamento impecável de suas peças, além de uma apresentação sempre bem pensada: para cada projeto, é feito um pequeno portfólio, que contém imagens do produto, fases da produção e um release comentando o conceito e o processo criativo.

Aliás, Wallace Barros é especialista, também, na veiculação de sua produção, fazendo o que chama de “networking no limite”: se não está ocupado com a produção, está sentado ao computador estabelecendo contatos – e disparando e-mails para publicações de moda e decoração. Tal preocupação fez com que a AWB aparecesse em editoriais de peso, como um publicado pela revista “MAG!”, além de outros.

Falando em divulgação de seus produtos, e em estratégias comerciais, o próprio Wallace não é modesto ao afirmar seu talento para o mundo dos negócios: “virei um ótimo negociador!”. Talento esse que é fundamental para quem pretende trabalhar na área, e que diferencia um pouco o artista do designer: segundo Barros, o artista muitas vezes está mais envolvido com o processo criativo, criando uma peça e pensando já na próxima, e na outra; já o designer cria uma peça, mas pensa também como ela poderá ser vendida e vista pelas outras pessoas, pois há uma diferença em executar uma peça como obra de arte e como produto (Fashion Kills Me pergunta: os artistas também não poderiam ter uma vocação mais comercial? Não em relação ao seu processo criativo, mas à venda de sua produção? Levante a mão quem conhece um artista que vive única e exclusivamente da venda de suas obras…)

Ainda relacionando criatividade e comercialização de produtos, Wallace afirma que, muitas vezes, a necessidade da venda faz com que o processo de criação de uma peça ou coleção se torne mais profissional e exigente com um bom resultado: “O trabalho fica bom quando você precisa que fique bom”. Ele fala ainda do impacto visual que uma peça deve causar ao ser vista pelo comprador: ela deve ter um “efeito visceral”, deve seduzir imediatamente, em todo seu conjunto, sem que a pessoa que a observa seja capaz de dizer, racionalmente, o que achou tão interessante.

O tal efeito visceral parece ser o que Wallace Barros procura, também, ao se vestir: além de se divertir produzindo o próprio figurino, e observando a reação das pessoas a ele, Wallace ainda aproveita para colar a imagem de suas peças à sua: “quando você compra um produto, você está comprando o lifestye de quem o cria”. Assim, não espere vê-lo peça rua com uma simples calça jeans e camiseta branca…

Encerrando este longo papo, Wallace Barros deixa algumas dicas para quem  ainda está começando na profissão, ou se interessa por ela: “pense como o Juscelino Kubitschek, e faça 50 anos em 5: se tiver que fazer dez croquis para apresentar um projeto, faça 50; se tiver que mandar um e-mail mostrando seu trabalho, mande 20; invista na quantidade de propostas que você é capaz de apresentar, e no número de contatos que é capaz de fazer”. Anotado? Além disso, Wallace sugere que todos tenham uma boa dose de identidade em seus trabalhos, além da saudável auto-crítica.

Wallace Barros e Ayrton  Mendonça, em frente à QUINA.

Não sei vocês, queridos leitores, mas eu fiquei super inspirada com tantas idéias boas…


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One Response to “WALLACE BARROS: DESIGN, CRIAÇÃO E MERCADO”

  1. Obrigado Lisia pelo cuidado e atenção,,, grande abraço a vc e todos que acompanham o FKM


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